ISO de Inovação: implementação, desafios e perspectivas da ISO 56002

Inovar se tornou um ato de sobrevivência. Nesse novo cenário, companhias do mundo todo estão em busca de um modelo de governança para a inovação, estabelecido pela ISO 56002. Mas, são poucos os que conseguem tirar as ideias do papel.

Em agosto de 2022, foi publicado no site Manufatura Digital o artigo “ISO de inovação: padronizar é o caminho?“, escrito por Alexandre Pierro (engenheiro mecânico, físico nuclear e sócio-fundador da PALAS), onde foi abordado a norma e a importância desta para as indústrias.

Alexandre Pierro
Alexandre Pierro

Na última semana, o editor-chefe do site Manufatura Digital, Luan Saldanha, entrevistou o Alexandre Pierro para discutir alguns pontos importantes relacionados à implementação, desafios e perspectivas da ISO 56002. Confira abaixo as perguntas e respostas completas desse bate-papo.

 

1- Como está o processo de implementação da ISO Inovação (ISO 56002) nas empresas brasileiras? E no mundo?

Quando pensamos em normas ISO, temos em mente um processo lento e burocrático. Entretanto, ao contrário do senso comum, a ISO de inovação tem se mostrado muito mais ágil, tendo sido adotada por um número cada vez maior de empresas. Isso se deve ao fato de o mercado ter entendido que as normas ISO são guias de boas práticas, e não apenas uma série de requisitos que devem ser obedecidos. Por conta dessa mudança de mindset, a ISO de inovação vem ganhando inúmeros adeptos, principalmente na América do Norte (USA), Europa e Ásia. A estimativa é que já existam cerca de 400 empresas utilizando esse modelo de governança de internacional para a inovação, inclusive no Brasil. A título de curiosidade, a ISO 9001, de gestão da qualidade, que é a mais adotada em todo o mundo, levou cinco anos para ter o primeiro case no Brasil. A ISO de inovação, com apenas três anos de existência (sendo dois de pandemia), já tem mais de 10 cases brasileiros. Isso mostra que estamos na vanguarda do mundo, buscando a posição de líderes e não de seguidores.

 

2- Quais os principais desafios que você identifica para implementação da ISO 56002 aqui no Brasil?

O principal desafio é cultural. Muitos ainda acreditam que a inovação é algo solitário, onde um gênio acorda um belo dia e tem uma ideia brilhante que muda o mundo. Isso se deve muito ao pensamento das empresas do Vale do Silício, que sempre cultuaram essa ideia. Mas, por trás de nomes famosos, existem milhares de pessoas que sabem que tem muito a mais ver com transpiração do que inspiração. É preciso testar, experimentar, errar, aprender, desaprender, reaprender. Há muita gente para gerenciar a inovação, olhando para cada um dos seus aspectos. É essa gestão, que hoje chamamos de governança de inovação, que a ISO de inovação se propõe a fazer, criando um modelo de negócios específico para as necessidades e desejos de cada empresa.

 

3- Como a ISO 56002 pode ajudar as empresas nos seus processos de Inovação?

O grande ganho da ISO de inovação é criar processos customizados, alinhados com a estratégia da empresa, onde a inovação tenha um terreno fértil para germinar e crescer. Ela ajuda na mudança da cultura da empresa e no legado da inovação, pois os projetos passam a ser da empresa e não mais das pessoas – que estão sempre em constantes mudança de carreira. Dessa forma, mesmo que exista uma mudança de colaboradores, a inovação poderá continuar a crescer e ser orgânica na empresa, pois ela será fundamentada nas diretrizes e processos estabelecidos.

 

4- Quais são as perspectivas futuras para atualização ou desdobramento da ISO 56002 em outras ISO?

O mercado está em constante mudança, e isso requer que sempre estejamos prontos para revisitar os nossos processos e modelos de negócios, e isso não é diferente com a ISO. Todas as normas ISO passam por revisões periódicas para garantir que elas sempre reflitam os anseios das empresas e da sociedade. No caso da ISO de inovação, hoje temos uma família de normas que ajudam a desenhar e criar uma governança customizada para cada empresa. Nessa família de normas, temos diretrizes sobre aspectos de propriedade intelectual (ISO 56005), ferramentas e métodos para inovação (ISO 56003), vocabulários e fundamentos (ISO 5600), entre outras. Dessa forma, podemos pensar na família de normas ISO de inovação como ingredientes para um bolo, onde cada empresa escolhe os ingredientes que lhe forem mais convenientes.

 

5- Qual mensagem você gostaria de deixar para as empresas que estão pensando em implementar a ISO 56002?

Inovação muda o jogo! Se quisermos que nossas empresas sejam mais competitivas, tanto no mercado interno quanto externo, precisaremos de inovação constante. Inovar se tornou uma questão de sobrevivência. O que dava certo ontem, possivelmente não dará certo amanhã. Temos que nos reinventar sempre. E, para isso acontecer, precisamos abraçar a inovação. Contudo, ela não irá ocorrer sem uma gestão apropriada, sem processos bem estabelecidos, pois até os grandes gênios da inovação tem equipes focadas exclusivamente na governança para garantir que a inovação ocorra. Existem muitos caminhos que podem ser seguidos para atingirmos esse fim, mas o mais relevante da ISO é que todas suas metodologias são desenvolvidas por comitês internacionais multiculturais, o que agrega muito valor. Assim, conseguimos encurtar caminhos, com métodos que foram testados e aprovados por centenas de empresas em todo o mundo, conseguindo agilizar o processo da inovação para empresas brasileiras.

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Luan Saldanha

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