Benefícios do uso do BIM na Engenharia Ferroviária

Engenharia Ferroviária é um segmento das engenharias que trata dos transportes com foco em linhas férreas e de metrô. O foco de atuação dos profissionais são os processos de operação das vias. Outras atividades exercidas são projetos, operacionalizações e manutenções de sistemas eletroeletrônicos para a circulação de material rolante, bem como na investigação e prevenção de acidentes ferroviários e metroviários.

Além disso, um engenheiro ferroviário realiza:

  • projeto e execução de infra e superestrutura ferroviárias;
  • prevenção e investigação de acidentes ferroviários e metroviários;
  • controle de qualidade e manutenção de locomotivas, vagões e carros de passageiro;
  • implantação de tecnologias mais modernas na área, tais como inteligência artificial e big data aplicada a ferrovias;
  • e análise da dinâmica de interação veículo-via em ferrovias.

Dito isso, pode-se entender a importância do setor e o porquê ele vem ganhando destaque na economia brasileira. E as novas tecnologias têm contribuindo para a criação de diversas soluções que devem beneficiar a mobilidade no transporte rodoviário. Investir nas ferrovias seria uma boa ideia diante do cenário, uma alternativa mais sustentável. O avanço no setor precisa poder contar com um novo modelo de processo de criação e gerenciamento de modelos digitais, permitindo a colaboração e integração de informações de diferentes disciplinas nos projetos.

O que é BIM?

BIM é sigla para Building Information Module ou Modelagem de Informação da Construção. Hoje, esta forma de projetar é bastante explorada pela construção civil. Ela é usada para:

  • Representar a geometria, propriedades, quantidades e relações de componentes de uma obra.
  • Além disso, simular e analisar desempenho de edifícios, ajudando a melhorar segurança, eficiência energética e sustentabilidade.

O BIM permite que diversos profissionais trabalhem juntos em um modelo compartilhado, aumentando a eficiência e reduzindo erros. Trata-se de uma tecnologia que também pode oferecer avanços para outros setores das engenharias, incluindo a Engenharia Ferroviária. E é claro que o Brasil precisa aproveitar esta grande ferramenta a seu favor, a favor da sua economia.

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Fonte:(https://engenharia360.com)

Como o BIM é usado em ferrovias?

Portanto, o BIM pode ser resumido como uma metodologia de gerenciamento do fluxo das informações; olhando para o futuro, um dos pilares da transformação digital na indústria. Em tese, ele pode suprir todas as fases do ciclo de vida da obra de uma edificação ou de obras lineares de infraestrutura – como rodovias, ferrovias, saneamento, etc. E como vantagem, oferece a possibilidade de simulação das construções. Mas, para isso, é claro, os projetistas precisam estar atualizados sobre técnicas de fundações, topografia, geometria, drenagem, e mais, sem contar as Normas Técnicas.

Aliás, são normativas que incentivam o uso do BIM para ferrovias:

  • Lei 14.133/2021: a lei de licitações, que institui o uso preferencial do BIM para projetos de engenharia e execução de obras públicas. Tanto para edificações como para obras lineares de infraestrutura (rodovias, ferrovias, etc);
  • Lei 14.026/2020: sobre o Marco Legal do Saneamento Básico, que prevê investimentos da ordem de R$ 700 bilhões em 10 anos, com a soma de esforços públicos e privados, até 2033;
  • Decreto 9.983/2019: que é a Estratégia BIM BR, que apresenta um plano de difusão e implementação do BIM no Brasil de forma escalonada, passando pelas fases de projetos, obras e manutenção, até 2028.

Quais os benefícios do BIM nas ferrovias?

Adotando o sistema BIM para execução de projetos de Engenharia Ferroviária, com todas as informações agregadas aos modelos virtuais, obtém-se:

  • mais assertividade e previsibilidade;
  • projeções claras e seguras sobre cada projeto;
  • conexão de equipes;
  • melhor fluxo de trabalho;
  • redução de imprevistos e erros de compatibilidade;
  • redução de custos, incluindo de utilização de recursos;
  • otimização dos prazos;
  • aumento de produtividade;
  • dados em todo o ciclo de vida da obra, do planejamento, passando pelo projeto, construção e manutenção, até operação das linhas férreas;
  • maior transparência e confiabilidade dos processos, que são mais precisos de planejamento e controle;
  • maior qualidade às obras;
  • e eficiência na gestão e manutenção de ativos.

O que falta para o Brasil utilizar o BIM nos projetos ferroviários?

Ainda há um caminho muito longo para o avanço do uso do BIM no setor ferroviário brasileiro. É necessária, certamente, mais cooperação dos agentes envolvidos no segmento – empresas privadas, governo, universidades, profissionais, etc. Isso porque não exige “apenas” a utilização de um software, como Revit, mas algo mais abrangente, que seria um modelo de gestão da informação. Essa nova forma de lidar com a indústria é mesmo assim, veloz, dinâmica, exigindo uma mudança de paradigma que envolve inovações disruptivas, gerando uma severa mudança nas organizações e como se relacionam.

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Fonte:(https://engenharia360.com)

De acordo com diversos levantamentos de mercado, ainda existe, sim, uma grande dificuldade de implementação do BIM nas empresas brasileiras no momento atual. Em qualquer setor, e não difere do setor da Engenharia Ferroviária, existe o desafio de encontrar profissionais qualificados, apesar de ser um setor de muita demanda. Há décadas o nosso país investe pouco ou nada em novas ferrovias. Contudo, há uma previsão de expansão nos próximos anos.

Plano de Execução BIM para ferrovias

Estima-se que até 2025 o Brasil expanda sua matriz de transporte no país; só a malha ferroviária em 35%, sendo que atualmente esse percentual é de 25%. Pensando nisso, já foi elaborado um plano voltado a aumentar e melhorar a utilização do BIM em projetos ferroviários em todo o território. Trata-se do Plano de Execução BIM (PEB), que estabelece como se dará o trabalho colaborativo no desenvolvimento de empreendimentos nesta linha, incluindo todos os papéis das partes-chave envolvidas nestes projetos.

O PEB, previsto na ABNT NBR ISO 19650-2 (2018), deve ser visto como um facilitador de gestão da informação na Engenharia Ferroviária! Resumindo, não é uma “burocracia a mais”, como alguns possam pensar. Tal método deve ser usado em diferentes fases do ciclo de vida da construção, inclusive como referência para contratação das empresas participantes na implantação dos projetos, ou seja, com obrigação contratual para a adoção dos usos do BIM. Para saber mais sobre essa metodologia acesse o site.

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Marcus Figueiredo

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